
Irmãs Adoradoras |
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Prezados Membros do Círculo Externo de Adoração! |
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Do nosso Santuário Tabor, enviamos a todos muitas saudações para o tempo de advento e a festa de Natal. Em abril deste ano, tivemos nosso belo retiro junto ao Santuário Tabor. Foram dias ricamente abençoados, e vários participantes expressaram o desejo de receber as palestras, a fim de aprofundar-se no seu conteúdo. Por isso queremos dar continuidade aos temas apresentados, nas próximas cartas circulares. |
Maria, Primavera de Deus
Nestes dias que antecedem o Natal, a liturgia nos relata os acontecimentos em torno do nascimento de Jesus. Na escuridão do pecado surgiu uma luz, e no frio que envolve a humanidade, distante de Deus, rompeu uma nova primavera que trouxe a esperança da salvação e acendeu o amor filial nos corações de todos os que se abriram ao seu convite: Deus fez-se Homem. Ele não operou este milagre sozinho, mas quis contar com a colaboração humana: o anjo se dirigiu a Maria, solicitando o seu Sim à encarnação do Filho de Deus (cf.Lc1,26-38). Com o livre consentimento de Maria, Deus assumiu a natureza humana e veio morar em nosso meio.
Esta cena bíblica tem muito a nos dizer em relação à primavera espiritual. Em primeiro lugar, Maria era uma jovem conhecedora da palavra de Deus, que praticava a sua fé. Deus a tinha preparado para sua sublime missão de ser Mãe de seu Filho Jesus. Ao ouvir a mensagem do anjo, ela refletiu, questionou, mas também teve a coragem de dizer seu Sim aos planos de Deus para a sua vida, renunciando a seus próprios interesses e planos.
Para que haja uma primavera espiritual em nossa vida é preciso termos uma atitude semelhante, dando a Deus a possibilidade de nos falar. Precisamos do Espírito Santo para compreender a mensagem de Deus e para aceitar com coragem seu convite. A atitude de Maria é uma exemplo para nós: ela rezava, perguntava e aceitava a palavra de Deus. Somente assim, Deus Pai pode dirigir-se a nós e manifestar-nos seus planos de amor em relação a nós.

Os convites de Deus
Os convites de Deus podem surpreender-nos e exigir decisões sérias. Assim aconteceu na vida de Irmã M.Emilie Engel, cuja causa de beatificação foi aberta há alguns anos. Ela nos mostra como um grande amor é capaz de produzir ricos frutos de santidade. Sobre a vocação de Irmã M.Emilie, Padre Kentenich, escreveu:
“Os caminhos de Deus não são os caminhos humanos. Não existe uma lei que estabeleça o paralelo entre a importância de uma pessoa na sociedade civil e de sua posição e missão na realidade da salvação. Assim, o Salvador reza: ‘Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado’ (Mt11,25-26) ...O Pai é soberano em escolher aqueles, aos quais comunica a plenitude de sua luz, suas inspirações silenciosas e ...a quem deixa participar de sua vida misteriosa e da edificação de sua obra na criação.” (J.K.1955)
Irmã M.Emilie Engel nasceu em 6 de fevereiro de 1893 em Husten, Alemanha. Já cedo amadureceu nela o desejo de uma vida dedicada a Deus e ao próximo. Por isso escolheu a profissão de professora, na qual atuou, a partir de 1915, e se dedicou, com muito zelo, às famílias mais necessitadas. Amava “de modo especial os mais pobres”, cuidou de doentes, ajudou órfãos a encontrar um novo lar e arrumou trabalho para jovens desempregados. Era muito estimada por todos.
Em 1921, Irmã M.Emilie conheceu Schoenstatt e o Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável. Ali, encontrou um lar, abrigo e uma sábia Educadora para toda a sua vida. Na Aliança de Amor com a Mãe de Deus, descobriu uma dimensão mais profunda da sua fé : a sua vida com Maria tornou-se uma vida em Maria, de forma que pôde dizer: “Pela Mãe de Deus sou capaz de qualquer coisa!” Na certeza do amor de Maria, de ser conduzida e educada por ela, Irmã M.Emilie encontrou resposta a todas as suas preocupações.

Deus é Pai, Deus é bom, bom é tudo que ele faz
No seu caminho vocacional, descobriu em Schoenstatt a força do amor que brota do coração de Deus Pai. Descobriu o amor filial e confiante a Deus Pai e convenceu-se de que, somente nessa confiança, seria capaz de se abandonar à sua condução, também nas lutas mais difíceis a vida. O maior presente que Deus Pai nos pode dar é sermos filhos de Deus, em seu Filho Jesus Cristo. Certa vez, disse: “Na medida em que formos filhos da confiança podemos dar apoio e ajuda aos outros, podemos ser luz e sol em tempos difíceis”.
Em 1925, Irmã M.Emilie selou a Aliança de Amor com Maria e, no intuito de colocar-se inteiramente a serviço da missão mariana de Schoenstatt, um ano mais tarde, decidiu colocar-se inteiramente ao dispor do Padre José Kentenich para colaborar na fundação da comunidade das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Na época, o passo era ousado, pois incluía a renúncia a uma profissão segura para se dedicar a uma comunidade nova sem qualquer segurança econômica.
Para uma sagrada primavera de Deus
Para Irmã M.Emilie era natural que cada cristão escute o apelo e realize a missão de Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio também” (Jo 20,21). Nem durante a sua longa enfermidade, mais tarde, seu entusiasmo por Cristo diminuiu. Certa vez, escreveu às suas coirmãs, que trabalhavam em escolas, hospitais e outros campos:
“Desejo a todas que arda em seus corações o fogo sagrado de um verdadeiro e profundo amor a Cristo e sua luz irradie de seus olhos, para que todas nós sejamos portadoras e anunciadoras de Cristo para aqueles, a quem servimos, como corresponde à nossa missão para o tempo atual”.
Em outra ocasião, escreve:
O amor é “nossa vocação principal, é nossa força e a necessidade mais urgente da época atual. ... Sendo Deus o Amor personificado, que manifesta seu amor através de pessoas e através delas nos presenteia tanto amor, devemos adotar o seguinte imperativo para nossa vida: precisamos amar e fazer tudo por amor e com amor! (1948)”
Irmã M.Emilie preocupava-se com a indiferença de tantos cristãos e a falta de espírito apostólico na Igreja. Por isso escreveu:
“Não podemos ignorar as aflições da época atual. Quanto mais compreendermos o tempo atual, tanto mais sentimos um anseio e tanto mais cresce em nós o zelo de colaborar o mais possível, a fim de fazer desabrochar uma sagrada primavera de Deus”.
