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Irmãs Adoradoras

Prezados Membros do Círculo Externo de Adoração!

Feliz Natal

Do nosso Santuário Tabor, enviamos a todos muitas saudações para o tempo de advento e a festa de Natal. Em abril deste ano, tivemos nosso belo retiro junto ao Santuário Tabor. Foram dias ricamente abençoados, e vários participantes expressaram o desejo de receber as palestras, a fim de aprofundar-se no seu conteúdo. Por isso queremos dar continuidade aos temas apresentados, nas próximas cartas circulares.
        No advento dirigimos nosso olhar ao Menino Jesus no presépio. Ele nos convida: ‘Sê criança como eu! Abandona a tua auto-suficiência, tuas seguranças humanas e teus medos e torna-te pequeno como eu, teu Deus e teu Senhor, o fiz, ao escolher uma gruta para nascer e um presépio como berço! Ama a Deus e confia no meu Pai. Assim se fará primavera espiritual na tua vida.’
        A primavera da vida são momentos nos quais a alma se abre para Deus, e Deus a convida a aproximar-se mais dele e a seguir sua voz. A este respeito, Gertraud von Boullion, uma das primeiras mulheres a participar da União Apostólica de Schoenstatt, escreveu:
“Na primavera, ao ver uma árvore repleta de flores, imagino uma alma que resplandece no mais belo ornamento da graça, e sempre peço a Deus: ‘Senhor, embeleza minha alma com as flores que brotam do amor’. Pois ... quando a alma ama, floresce diante dos olhos de Deus mais belamente que uma árvore, carregada de muitíssimas flores brancas. Porém, que imensidão de flores devem brotar numa árvore, para que ela produza apenas alguns frutos? ... E quanto amor precisa arder numa alma até que esta seja capaz de sacrifícios e renúncias?”

 

Maria, Primavera de Deus 


        Nestes dias que antecedem o Natal, a liturgia nos relata os acontecimentos em torno do nascimento de Jesus. Na escuridão do pecado surgiu uma luz, e no frio que envolve a humanidade, distante de Deus, rompeu uma nova primavera que trouxe a esperança da salvação e acendeu o amor filial nos corações de todos os que se abriram ao seu convite: Deus fez-se Homem. Ele não operou este milagre sozinho, mas quis contar com a colaboração humana: o anjo se dirigiu a Maria, solicitando o seu Sim à encarnação do Filho de Deus (cf.Lc1,26-38). Com o livre consentimento de Maria, Deus assumiu a natureza humana e veio morar em nosso meio.
        Esta cena bíblica tem muito a nos dizer em relação à primavera espiritual. Em primeiro lugar, Maria era uma jovem conhecedora da palavra de Deus, que praticava a sua fé. Deus a tinha preparado para sua sublime missão de ser Mãe de seu Filho Jesus. Ao ouvir a mensagem do anjo, ela refletiu, questionou, mas também teve a coragem de dizer seu Sim aos planos de Deus para a sua vida, renunciando a seus próprios interesses e planos.
Para que haja uma primavera espiritual em nossa vida é preciso termos uma atitude semelhante, dando a Deus a possibilidade de nos falar. Precisamos do Espírito Santo para compreender a mensagem de Deus e para aceitar com coragem seu convite. A atitude de Maria é uma exemplo para nós: ela rezava, perguntava e aceitava a palavra de Deus. Somente assim, Deus Pai pode dirigir-se a nós e manifestar-nos seus planos de amor em relação a nós.

O Verbo se fez carne e habitou entre nós

Os convites de Deus


Os convites de Deus podem surpreender-nos e exigir decisões sérias. Assim aconteceu na vida de Irmã M.Emilie Engel, cuja causa de beatificação foi aberta há alguns anos. Ela nos mostra como um grande amor é capaz de produzir ricos frutos de santidade. Sobre a vocação de Irmã M.Emilie, Padre Kentenich, escreveu:
“Os caminhos de Deus não são os caminhos humanos. Não existe uma lei que estabeleça o paralelo entre a importância de uma pessoa na sociedade civil e de sua posição e missão na realidade da salvação. Assim, o Salvador reza: ‘Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado’ (Mt11,25-26) ...O Pai é soberano em escolher aqueles, aos quais comunica a plenitude de sua luz, suas inspirações silenciosas e ...a quem deixa participar de sua vida misteriosa e da edificação de sua obra na criação.” (J.K.1955)
Irmã M.Emilie Engel nasceu em 6 de fevereiro de 1893 em Husten, Alemanha. Já cedo amadureceu nela o desejo de uma vida dedicada a Deus e ao próximo. Por isso escolheu a profissão de professora, na qual atuou, a partir de 1915, e se dedicou, com muito zelo, às famílias mais necessitadas. Amava “de modo especial os mais pobres”, cuidou de doentes, ajudou órfãos a encontrar um novo lar e arrumou trabalho para jovens desempregados. Era muito estimada por todos.
Em 1921, Irmã M.Emilie conheceu Schoenstatt e o Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável. Ali, encontrou um lar, abrigo e uma sábia Educadora para toda a sua vida. Na Aliança de Amor com a Mãe de Deus, descobriu uma dimensão mais profunda da sua fé : a sua vida com Maria tornou-se uma vida em Maria, de forma que pôde dizer: “Pela Mãe de Deus sou capaz de qualquer coisa!” Na certeza do amor de Maria, de ser conduzida e educada por ela, Irmã M.Emilie encontrou resposta a todas as suas preocupações.

Irmã Emilie Engel

Deus é Pai, Deus é bom, bom é tudo que ele faz


No seu caminho vocacional, descobriu em Schoenstatt a força do amor que brota do coração de Deus Pai. Descobriu o amor filial e confiante a Deus Pai e convenceu-se de que, somente nessa confiança, seria capaz de se abandonar à sua condução, também nas lutas mais difíceis a vida. O maior presente que Deus Pai nos pode dar é sermos filhos de Deus, em seu Filho Jesus Cristo. Certa vez, disse: “Na medida em que formos filhos da confiança podemos dar apoio e ajuda aos outros, podemos ser luz e sol em tempos difíceis”.
Em 1925, Irmã M.Emilie selou a Aliança de Amor com Maria e, no intuito de colocar-se inteiramente a serviço da missão mariana de Schoenstatt, um ano mais tarde, decidiu colocar-se inteiramente ao dispor do Padre José Kentenich para colaborar na fundação da comunidade das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Na época, o passo era ousado, pois incluía a renúncia a uma profissão segura para se dedicar a uma comunidade nova sem qualquer segurança econômica.

Para uma sagrada primavera de Deus


Para Irmã M.Emilie era natural que cada cristão escute o apelo e realize a missão de Cristo: “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio também” (Jo 20,21). Nem durante a sua longa enfermidade, mais tarde, seu entusiasmo por Cristo diminuiu. Certa vez, escreveu às suas coirmãs, que trabalhavam em escolas, hospitais e outros campos:
“Desejo a todas que arda em seus corações o fogo sagrado de um verdadeiro e profundo amor a Cristo e sua luz irradie de seus olhos, para que todas nós sejamos portadoras e anunciadoras de Cristo para aqueles, a quem servimos, como corresponde à nossa missão para o tempo atual”.
Em outra ocasião, escreve:
O amor é “nossa vocação principal, é nossa força e a necessidade mais urgente da época atual. ... Sendo Deus o Amor personificado, que manifesta seu amor através de pessoas e através delas nos presenteia tanto amor, devemos adotar o seguinte imperativo para nossa vida: precisamos amar e fazer tudo por amor e com amor! (1948)”
Irmã M.Emilie preocupava-se com a indiferença de tantos cristãos e a falta de espírito apostólico na Igreja. Por isso escreveu:
“Não podemos ignorar as aflições da época atual. Quanto mais compreendermos o tempo atual, tanto mais sentimos um anseio e tanto mais cresce em nós o zelo de colaborar o mais possível, a fim de fazer desabrochar uma sagrada primavera de Deus”.