O empenho por um mundo novo e uma nova ordem social convida-nos a, a partir de nossa origem, oferecer a cultura da aliança de amor, como resposta para os desafios de nosso tempo e dos tempos futuros.
A música é importante na cultura
Quando falamos em gerar uma cultura da Aliança de Amor, também a música precisa ser impregnada dessa nova cultura e ajudar para que ela se instale. Diz nosso Pai e Fundador, Pe. José Kentenich: "A música é um meio para que o homem penetre no tranquilo ritmo de Deus."
Quem conhece a Família de Schoenstatt se admira do grande número de músicas específicas que faz parte de nossa cultura.
O Hino Oficial da Família de Schoenstatt
O Hino da Família de Schoenstatt é o canto entitulado: Ó Virgem Protetora. A letra é de Irmã M. Bonifácia Warth e a música de Irmã M. Cordula Fladung. Foi composto e musicado para a primeira coroação da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, no Santuário Original, em 10 de dezembro de 1939. Esse hino contém em síntese toda a espiritualidade vivida durante a II Guerra Mundial. Expressa a atmosfera da Família nesse período, a confiança heróica no poder da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Sua força pedagógica foi arrimo para muitas pessoas, nos difíceis anos do Nazismo na Alemanha.
Assim surge o hino
Quem conhece a história sabe que o ano de 1939 é repleto de tensões para a história mundial, pois Hitler, com o poder nazista, invade alguns países e em 1 de setembro tem declarado o início da II Guerra Mundial. Nesse ano, a Obra de Schoenstatt completa seu jubileu de 25 anos de Fundação e quer oferecer um presente para a Mãe Três Vezes Admirável. As Irmãs de Maria têm a ideia de coroar a Mãe de Deus, no Santuário, e a Família de Schoenstatt adere a esta sugestão, formando uma forte corrente de vida.
A coroação é um ato de confiança e entrega para a Mãe e Rainha de Schoenstatt, pois a situação em torno ao Santuário Original, ao Movimento de Schoenstatt e a vida do Fundador, Pe. José Kentenich, era de muita tensão e ameaça. Como resposta a essa situação política, Pe. Kentenich motiva a Família a elevar ao máximo as exigências da Aliança de Amor.
Então, nessa forte corrente de coroação, de aprofundamento da Aliança de Amor, confiança e súplica para que a Mãe de Deus salvasse a Alemanha e o mundo de um sistema político totalitário, que pretendia conquistar o mundo, surge a letra e a melodia de nosso hino: Ó Virgem Protetora. Vemos essa atmosfera em sua letra. Por exemplo: "Sempre nos amparais.... as almas renovais.... não a pode o mundo vencer... que sejais refúgio e guia do mundo... em nossa missão confiamos... não havemos de perecer... "
Ele ressoa solemente no dia da coroação
O dia da coroação seria 18 de outubro de 1939. Porém, nessa data o Fundador se encontra na Suiça. Então, ele envia uma conferência para a comemoração. É 2º Documento de Fundação, no qual ele faz um belo louvor à Mãe e Rainha, por todo seu operar nos 25 anos da Família e motiva a todos para aprofundar a Aliança de Amor na altura da Carta Branca.
Embora a coroação tenha sido adiada para 10 de dezembro, no dia jubilar, a coroa é apresentada à Mãe e Rainha e colocada sobre o altar do santuário, onde permanece até o dia 10 de dezembro.¹
Sobre a entoação do hino da Família, lemos em um relatório de 20 de dezembro de 1939: "Foi um dia memorável, que deu um determinado arremate ao ano jubilar e documentou uma culminância no desenvolvimento de nossa Família. A festividade começoi às quinze horas, no salão de festas, solenemente ornamentado com o colorido das bandeiras.
Houve uma palestra e, então, começou a apresentação sacral propriamente dita. Lembramos os sacrifícios de construção de nossa Família. Foi citado os nomes dos congregados heróis falecidos. Eles nos conclamam a permanecermos conscientes de nossa grande missão e a continuarmos a construir a Obra, por meio da ação corajosa e sacrifical. A resposta a isso foi o juramento de fidelidade da geração atual.
Com letra artística foram perpetuados, num Documento, os presentes jubilares da Família à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Este documento foi descerrado solenemente e lido perante todos os presentes.Depois, cantamos, a três vozes, o novo Hino da Família: Ó Virgem Protetora…A alocução que se seguiu, proferida pelo Pai e Fundador, colocou nossa Mãe de Schoenstatt bem no centro, como Rainha.”²
Um hino silenciado, mas que desperta o filho heróico
Este hino se tornou um imperativo de luta para a Família, mas, também uma ancora de esperança e refúgio nos momentos difíceis, bem como nas horas de Tabor e vitoriosidade. Nas anotações de uma crônica, do ano de 1941, lemos:
"No encerramento do retiro mariano, na festa de São Tiago, o maior (25 de julho de 1941) ...Durante a primeira conferência, ficamos sabendo, que a Gestapo ocupava e revistava a Casa Sonneck e a Wildburg (as duas próximas ao Santuário Original) ...O dia todo a Gestapo permaneceu nas duas casas. A Gestapo revistou e investigou tambpem outras casas, especialmente em torno da Capelinha de graças. Logo após o almoço, termina o retiro dos sacerdotes. Como canto final ressoava da Capelinha, entoado por 80 sacerdotes, a todo pulmão, o hino de Schoenstatt com o estribilho: “Não havemos de perecer.”
Para não nos expor a maiores dificuldades, a partir de então, aqui em Schoenstatt, evitamos cantar publicamente este hino."³
São quase 4 anos sem entoar publicamente o Hino da Família, pois no decorrer desses anos, os Nazistas tomaram o seminário e rondavam constantemente a região do Santuário Original. O estribilho "do mundo haveis de triunfar, não havemos de perecer" poderia ser interpretado como provocação ao regime de Hitler.
Um hino de reconhecimento e de missão
Segundo palavras do Pe. Kentenich, esse "hino de Schoenstatt é também uma expressão para o mistério de Schoenstatt."³.¹ Por isso, o Hino se torna um meio de reconhecimento entre os schoenstattianos na prisão e no Campo de Concentração. Quando um era preso e queria saber nas celas de sua proximidade havia um irmão da aliança, ele assobiava a estrofe e o outro respondia com o mesmo sinal. Podemos imaginar quanta força mútua essa estrofe significava.
Ir. M. Vera, da antiga Tchecoslováquia, conta que, quando elas eram prisioneiras do comunismo nesse país, um dia, presas em um galpão totalmente escuro, as Irmãs começam a cantar o hino, "O Virgem Protetora". A estrofe "não havemos de perecer" tocou o coração das pessoas que estavam com elas e elas queriam saber: 'que mundo é esse que vocês trazem dentro de si?' Com isso, as Irmãs puderam anunciar o carisma de Schoenstatt nesse lugar tão cruel e ajudar outras mulheres ali, prisioneiras como elas, a reconquistarem a liberdade interior.³.²
Um hino de vitória e liberdade
A Mãe de Deus vence! Em 25 de março de 1945, a tropa dos países aliados tomam a região em que se situa Schoenstatt. O nazismo não tem mais poder sobre Schoenstatt! A crônica relata sobre esse dia: "Pela primeira vez cantamos novamente na Capelinha de Graças o hino de Schoenstatt: “Ó Virgem protetora”, com o estribilho: “Não havemos de perecer”. Não precisamos mais ter receio das ameaças da gestapo."³
O Hino da Família de Schoenstatt ressoa também no Campo de Concentração de Dachau: “No dia 29 de abril, finalmente, foi dada a informação que a SS (Nazismo) tinha se retirado (do Campo de Concentração de Dachau), salvo um pequeno grupo, que permaneceu para entregar o Campo. Na tarde deste dia, os americanos entraram no Campo de Concentração de Dachau, recebidos pelo imenso júbilo de 32.000 prisioneiros. O grupo do Pe. Fischer estava fazendo sua reunião e, acatando a proposta de Pe. Soukoup, cantou o hino de Schoenstatt: ‘Ó Virgem Protetora’. Então, o refrão ‘Não havemos de perecer!’ se misturou com o júbilo dos libertados.”³.³
Com a expansão de Schoenstatt em todo o mundo, o Hino da Família é entoado nos quatro confins da terra. Para isso, está traduzido em muito sidiomas e ressoa nas horas solenes da Família de Schoenstatt nos diversos países.
Entoar esse hino é entrar em comunhão com a Família Internacional, é repetir as frases e melodia que acompanham nossa agraciada história e haurir das mesmas forças de nossos primeiros. Ouçamos e cantemos muitas vezes o hino em todas as circunstâncias de nossa vida. Venha o que vier, Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, "do mundo haveis de triunfar, não havemos de perecer!"