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Irmãs Adoradoras

Prezados Membros do Círculo Externo de Adoração!

            Em 18 de outubro de 1914, o Padre José Kentenich e um grupo de jovens seminaristas convidaram a Mãe de Deus a estabelecer-se no Santuário de Schoenstatt e a iniciar ali um movimento de renovação religioso-moral do mundo. Selaram uma Aliança de Amor com Maria. A partir dessa hora, Maria transformou aquele pedacinho de terra num lugar de graças para milhares de pessoas. Em 2014 celebraremos o centenário desta primeira Aliança de Amor.
Algumas pessoas manifestaram o desejo de aprofundar a riqueza espiritual desta dádiva divina. Ela se fundamenta na Aliança de Deus com a humanidade e nos ajuda a viver mais conscientemente a nossa vocação cristã. Como Círculo Externo de Adoração, podemos incluir-nos nesta corrente de graças que brota do Santuário de Schoenstatt. Pela nossa vida de oração e de sacrifícios, oferecidos por amor, damos nossa contribuição concreta para que muitas pessoas possam encontrar Deus em suas vidas.
Fomos criados para o Amor
            Nosso Fundador, Padre José Kentenich, explicou, muitas vezes, que a lei fundamental do mundo, o motivo pelo qual e o objetivo para o qual Deus criou o mundo, é o amor. Este amor de Deus se manifesta em quatro graus:

  • É o amor do Pai pelo Filho, no Espírito Santo;
  • É o amor do Pai que nos enviou seu Filho, que assumiu a natureza humana e nos redimiu;
  • É amor que se manifesta na criação da pessoa humana, chamada a viver em aliança com ele;
  • E o amor que se revela na criação do mundo em geral.

O Papa Bento XVI referiu-se a esta realidade ao escrever:
“A caridade é amor recebido e dado; é « graça » . A sua nascente é o amor do Pai pelo Filho no Espírito Santo. É amor que, pelo Filho, desce sobre nós. É amor criador, pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados. Amor revelado e vivido por Cristo, é «derramado em nossos corações pelo Espírito Santo». Destinatários do amor de Deus...” (Bento XVI, Caritas in Veritate, 5)
Na Aliança de Amor de Schoenstatt, colocamo-nos inteiramente à disposição de Deus e da Mãe de Deus, como cada cristão o faz ao rezar o Pai nosso: “seja feita vossa vontade”. Mas sendo a nossa uma aliança de amor, o motivo mais profundo desta entrega é o amor. Ao mesmo tempo, trata-se de uma aliança mútua: o Pai Celeste também se coloca ao nosso dispor com todo o seu amor misericordioso. O Padre Kentenich explica-o da seguinte forma:
“Vejam, no Santuário de Schoenstatt não fomos somente nós a selar uma Aliança de Amor com a Mãe de Deus e com o Pai Celeste, eles também selaram uma Aliança conosco. Ou seja, Eles se colocaram a nossa disposição. Ofereceram-nos o seu amor misericordioso. (...) Falamos do Deus justo, do Deus onipresente, de Deus onipotente. Mas se abrirmos a Sagrada Escritura, encontramos uma palavra que nos ajuda a compreender um mundo maravilhoso. Esta palavra é: “Sua misericórdia se estende a todas as suas obras”(Salmos 144,9)
Seu amor é somente amor misericordioso! O bom Deus sabe como sou fraco. Ele sabe que sou limitado. O bom Deus sabe que tenho o pecado original. Sabe que pequei vezes sem conta. E agora? Seu amor me aceita pessoalmente!”(18.1.1957)
A Aliança de Amor no Antigo Testamento
            A palavra ‘aliança’expressa a relação fundamental que perpassa toda a história da salvação. Ainda podemos acrescentar: a história de toda a humanidade na sua relação com Deus e a minha história pessoal com Deus.
            “A Aliança de Deus com a humanidade aparece,

  • primeiro, como iniciativa gratuita de Deus;
  • segundo, como compromisso mútuo;
  • e terceiro, tem sempre o selo de uma fidelidade irrevogável.” (p.91, Vivendo em Aliança, P.Rafael Fernandes)

 

A criação do mundo foi uma iniciativa gratuita de Deus: Deus criou-nos por amor. “É ele que inicia o diálogo”. Ele criou Adão e Eva para iniciar sua história de aliança, que foi rompida pelo pecado original. Foi Deus quem chamou Abraão para reatar a história de aliança com o povo de Israel. Depois Deus escolheu Moisés para reconduzir o seu povo eleito do Egito à terra prometida.
O Padre Kentenich descreve assim o grande amor de Deus pela humanidade, especialmente pelo  povo de Israel:
“O Antigo Testamento não se cansa de mostrar e descrever a imagem de Deus. Javé repete sempre de novo : ‘Eis que estás gravada na palma de minhas mãos’(Is 49,16) Quando escrevo um nome na palma de minhas mãos? Certamente só o faço quando gosto de alguém. Escutamos também que Javé afirma tratar a humanidade, especialmente o povo de Israel, como a pupila de seus olhos (cf. Dt 32,10). Compreendem o que isto significa? Ele me abraça com um amor sem limites. Por isso diz, já no Antigo Testamento: Amei-te com amor eterno e te atraí a mim com misericórdia.
Geralmente, as pessoas acreditam que o amor de mãe é o amor mais fiel. Mas Javé declara a um povo que rompeu a sua aliança com Deus: Permaneço-te fiel, amo-te. E usa esta imagem: Uma mãe é capaz de esquecer seu filho? “Mesmo que ela o esquecesse, eu nunca te esqueceria.”(cf Is 49,15) Selei uma aliança contigo. Vejam, por isso o Novo Testamento diz simplesmente: “Deus caritas est”
(1 Jo 4,16). Deus é amor.” (P.José Kentenich 21 de janeiro de 1957)


A Aliança de Amor – um compromisso mútuo


A aliança de Deus com o povo de Israel também implicava um compromisso mútuo.
“O segundo traço da aliança é ser um compromisso mútuo. Pensando na história de Abraão, de Moisés, do Povo de Israel e de Maria (...) Deus exige, em primeiro lugar, a obediência da fé. Uma fé obediente, uma fé e confiança, capazes de fazer o homem deixar-se levar para onde Deus queira levá-lo. Uma obediência capaz de deixar a própria terra, os próprios deuses, os próprios ídolos, a própria família, como é o caso de Abraão, de Moisés, ou de Maria, que precisa renunciar aos seus próprios planos, (...) deixar tudo para obedecer”(p.93, Vivendo em Aliança, P.Rafael Fernandes).
            A Aliança de Amor com Deus e com a Mãe de Deus fundamenta-se no amor misericordioso de Deus para conosco, sendo que eles também esperam a nossa resposta de amor. Queremos tomar a sério nosso compromisso da Aliança no dia a dia. Precisamos aprender a amar de todo coração a Deus, nosso Pai, aprender a escutar a sua voz e a obedecer-lhe.
Perguntemo-nos: Como se aprende amar a Deus e a Mãe de Deus? Padre Kentenich ensinou três passos.
Primeiro, precisamos contemplar muitas vezes a pessoa que queremos amar. Isso significa olhar ao longo do dia a Mãe de Deus, Jesus ou Deus Pai e refletir sobre seu grande amor para conosco, sobre a sua presença real na nossa vida.
Segundo: dialogar com eles na oração como ensina também o Santo Padre. “Obviamente o cristão que reza, não pretende mudar os planos de Deus nem corrigir o que Deus previu; procura, antes, o encontro com o Pai de Jesus Cristo, pedindo-Lhe que esteja presente, com o conforto do seu Espírito, nele e na sua obra” (Bento XVI, Deus Caritas est, 37). A oração nos leva a um profundo amor pessoal a Deus.
E em terceiro lugar, devemos oferecer pequenos sacrifícios e renúncias como provas do nosso amor.
“Do conde polonês Boleslau conta-se o seguinte: Após o falecimento de seu pai, costumava trazer sempre consigo sobre o peito a imagem do pai. Apontando para ela dizia: Eu nunca ousaria fazer algo que não fosse do agrado do pai.
Vejam, esta é a verdadeira atitude filial diante de Deus Pai. Se quero estar à sua disposição, isso significa: escuto-o e obedeço-lhe com alegria, porque ele é o Pai que tudo dispõe.” (P.J.K. 21/1/1957)
            Recordemos ainda as exigências da Aliança de Amor de Deus com o seu povo: os dez mandamentos. Precisamos renovar sempre de novo a nossa consciência e nos perguntar: Até que ponto vivo seguindo esta exigência? Vou à Santa Missa aos domingos? Sigo as orientações do Santo Padre? Freqüento lugares e reuniões que deformam a fé católica, ou exponho-me a filmes, textos e influências que agridem os valores, anunciados por Cristo?
Viver os dez mandamentos significa amar Deus na prática e tomar a sério a sua Aliança de Amor conosco.

 

 

Deus é sempre fiel à Aliança de Amor


Ao falar da Aliança de Deus, o Padre Kentenich recorda o exemplo do povo de Israel que quebrara sua aliança com Deus, adorando no deserto o bezerro de ouro (cf.Ex.32). Deus castigou a infidelidade de seu povo mas, quando Moisés implorou a bondade de Deus, ele voltou-se novamente em misericórdia para os pobres Israelitas e disse: Eu sou fiel, sou fiel à Aliança! O Padre Kentenich confirma:
“O que o Pai coloca à nossa disposição, pela Aliança de Amor? Nós colocamo-nos à sua disposição, e ele se coloca ao nosso dispor e com o seu amor misericordioso. Porém, com uma condição: Preciso reconhecer e confessar-lhe, confiantemente, a minha fraqueza e a minha miséria.”
 (J.K.18/1/1957)

 

A lenda do Monge


“As antigas lendas falam de um monge que tinha muito contato com seu anjo de guarda. É fácil imaginar que esse monge quis, certa vez, saber do seu anjo a quem o Pai Celeste mais amava. Então o anjo de guarda lhe disse: Adivinha-o tu!
- Bem, disse o monge, penso que uma criança, com sua inocência intacta, poderia ser a pessoa predileta do Pai Celestial.
- Não, disse o anjo, estás errado!
– Então uma menina que desposa Jesus, disse o monge. O anjo da guarda respondeu mais uma vez: Errado!
- Um mártir que entregou sua vida por Jesus, pelo Pai Celestial? Novamente recebeu a resposta: Errado!
- Um apóstolo que percorreu o mundo? Errado, foi a resposta.
O monge ficou sem palavras: quem poderia então ser a pessoa predileta de Deus? O anjo disse: Vem, eu vou mostrar-te uma coisa! E o anjo levou-o à prisão. Ali, um criminoso chorava os seus pecados, confiando no sangue do Salvador. O anjo disse: São estas as pessoas mais amadas pelo Pai do Céu.” (J.K.18/1/1957)

 

Padre Kentenich continua: “Graças à miséria, plenamente reconhecida, recebo o direito ao amor misericordioso do Pai”