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Irmãs Adoradoras
Ir.M. Doracy
Nº 139 – II / 2011

Prezados Membros do Círculo Externo de Adoração!

Papa João Paulo II no santuario em Roma
Neste mês de maio, mês de Maria, acompanhamos a beatificação do Papa João Paulo II. Sua pessoa e seu carisma marcaram a Igreja durante mais de 25 anos e contribuíram para a renovação espiritual de muitas pessoas, que entraram em contato com ele diretamente ou através dos seus escritos. Recebemos dele uma riqueza espiritual imensa que nos aproximou mais de Cristo e de Maria.
Afoto ao lado vemos João Paulo II em oração, por ocasião de sua visita ao Santuário Cor Ecclesiae, em Roma, no dia 29 de dezembro de 2000. Seu amor a Maria o impulsionou a visitar muitos santuários marianos no mundo. Como círculo externo de adoração, sentimos uma proximidade espiritual deste Papa, pois no Santuário de Schoenstatt, junto à Mãe, Rainha e Vencedora, temos a fonte de graças e de forças para vivermos nossa fé no mundo atual.
Este Santuário de Roma não foi o único Santuário de Schoenstatt a ser visitado por ele. Durante sua viagem à Polônia, no ano de 1991, abençoou o Santuário em Koszalin na firme fé, que a partir deste lugar a Mãe de Deus iria distribuir graças a todos que alí chegassem.
Assim como o Padre Kentenich confiou toda a sua vida e obra às mãos de Maria e viveu da Aliança de Amor com ela, também Karol Wojtyla nunca deixou de olhar para Maria e aproveitar “momentos solenes ou encontros pessoais, visitas a santuários internacionais ou a pequenas grutas para renovar sua ‘consagração a Cristo pelas mãos de Maria’ (RMa 48), como meio eficaz para viver fielmente seus compromissos” (Dom Murilo S.R. Krieger, 2003).

 

 

 

Santuério de Roma visitado pelo Papa João Paulo II

Totus Tuus, todo teu, Maria
No dia 17 de outubro de 1978, poucas horas depois de ter sido eleito Papa, João Paulo II dirigiu-se ao mundo e confiou seu Pontificado à Mãe de Jesus com as palavras:
“Nesta hora, marcada para nós pela surpresa e responsabilidade, não podemos deixar de voltar, com filial devoção, nosso olhar para a Virgem Maria [...], repetindo as palavras comovedoras totus tuus (todo teu), que há vinte anos gravamos em nosso coração e em nossas almas, no dia da ordenação episcopal” (in Dom Murilo S.R. Krieger, 2003).
Mais tarde, numa entrevista publicada no livro ‘Cruzando o Limiar da Esperança’, ele explica:
“Totus Tuus. Esta fórmula não tem apenas um caráter pietista, não é uma simples expressão de devoção: é algo mais. A orientação para semelhante devoção se afirmou em mim no período em que, durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhava como operário numa fábrica. Num primeiro momento, achei que devia afastar-me da devoção mariana da infância, em favor do cristocentrismo. Graças a São Luiz Grignon de Montfort, compreendi que a verdadeira devoção à Mãe de Deus é, ao contrário, cristocêntrica (...).
No que diz respeito à devoção mariana, cada um de nós deve ter claro que não se trata só de uma necessidade do coração, de uma inclinação sentimental, mas que corresponde também à verdade objetiva sobre a Mãe de Deus. Maria é a nova Eva, que Deus põe diante do novo Adão-Cristo, a começar pela Anunciação, através da noite do nascimento em Belém, o convite nupcial em Caná da Galiléia, a cruz sobre o Gólgota, até o cenáculo do Pentecostes, a Mãe de Cristo Redentor é a Mãe da Igreja.” (Cruzando o Limiar da Esperança, p.195)
Papa João Paulo II confiou sua vida à Mãe de Deus. Redescobriu uma “nova piedade mariana”, uma “forma madura de devoção à Mãe de Deus”, que se expressa nos documentos publicados durante seu pontificado. Ao ser atingido por uma bala, no dia 13 de maio de 1981, acreditou na proteção da Mãe de Deus. No ano seguinte peregrinou a Fátima para lhe agradecer. No dia 25 de março de 1984, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, na Praça de S. Pedro e, no dia 8 de outubro de 2000, consagrou a Nossa Senhora o novo milênio, na presença dos bispos do mundo inteiro. No fim de sua vida, estimulou-nos a contemplar Cristo “na escola de Maria”.


Sob a proteção de Maria, queremos educar-nos...
Também podemos contemplar a história do Santuário de Schoenstatt à luz da devoção mariana de João Paulo II e ver como a Mãe de Deus se fez presente na vida dos jovens seminaristas já antes da Fundação do Movimento de Schoenstatt.
No ano de 1912, o Padre José Kentenich foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário dos Padres Palotinos, em Schoenstatt. Durante a sua vida, experimentara muitas vezes, o poder educativo da Mãe de Deus e sua proteção. Expressou esta vivência com as palavras: “Ela formou-me e educou-me pessoalmente a partir dos meus nove anos” (J.K. 11/8/1935). Ao assumir a tarefa de Diretor Espiritual, apresentou aos jovens uma proposta pedagógica, que brotava do seu próprio interior: “Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos, para nos tornarmos personalidades firmes, livres e sacerdotais”(J.K. 27/10/1912). Como descreveu o cenário do mundo de então, hoje mais atual do que nunca:

Santuário Original - Alemanha

“Não é necessário um conhecimento extraordinário do mundo e dos homens para ver que nosso tempo com todo o seu progresso e suas múltiplas descobertas, não consegue libertar o homem do vazio interior. Toda a sua atenção e atividade têm por objeto exclusivamente o mundo exterior. (...) Porém, apesar de tudo, há um mundo sempre antigo e sempre novo, que permanece ignorado e desconhecido: nosso próprio mundo interior.” (J.K. 27/10/1912)

            Padre Kentenich estimulou os jovens a avançarem na conquista do seu mundo interior, com o auxílio e sob a proteção de Maria, a grande Mãe e Educadora. Os jovens sentiram-se tocados e acolheram esta proposta com entusiasmo. A pessoa da Mãe de Deus penetrou mais profundamente em seus corações como grande Educadora, capaz de os transformar e conduzir a Cristo.

Por Maria a Jesus – Sou teu


            A fim de manter vivo este ardor, no dia 19 de abril de 1914, realizou-se, no seminário, a fundação da Congregação Mariana, e os 28 primeiros membros fizeram a sua consagração. Iniciava assim a etapa preparatória à fundação do Movimento de Schoenstatt . Nesse dia, Padre Kentenich explicou aos jovens a finalidade da Congregação. Vale a pena meditar sobre as suas palavras:
Na Congregação “encontramos um excelente meio para a realização de nossos ideais juvenis e para atingirmos do modo mais perfeito, rápido e seguro o objetivo de nossa educação. Na Congregação temos encontrado e encontramos Jesus e Maria (...). O Papa Bento XIV define a devoção mariana das Congregações como perfeita entrega a serviço de Maria Santíssima, que abrange totalmente a pessoa no seu corpo e na sua alma. Queremos estar a serviço de Maria (...).
O fim último de nossa Congregação não é Maria, mas o Redentor. Consagramo-nos sem reservas à Mãe de Deus, para que ela nos conduza ao seu divino Filho(...). Maria Santíssima nos conduz à vitória sobre o demônio, sobre o mundo e sobre a carne. Ela fará de nós bons sacerdotes e bons apóstolos. E mais tarde, quando estivermos maduros para o céu, quando nossa mão sentir o frio da morte, sua cálida mão maternal (...)nos conduzirá à felicidade eterna do céu e ao feliz abraço de seu divino Filho. ‘Per Mariam ad Jesum – Tuus sum ego’ (Por Maria a Jesus – Sou teu).” (P.J.K. 19/4/1914)

Eu amo os que me amam
            Partindo destas reflexões sobre o amor a Maria na vida do Papa João Paulo II e dos Congregados Marianos de Schoenstatt, queremos olhar para nós como membros do Círculo Externo de Adoração e perguntar-nos:

  • Que lugar ocupa Maria em minha vida?
  • Quais são as provas de amor que lhe ofereço?
  • Confio-lhe as minhas preocupações, a minha família?
  • No Santuário de Schoenstatt ouvimos as palavras: “Eu amo os que me amam. Provai primeiro que me amais e levais a sério os vossos propósitos.” Queremos esforçar-nos por alcançar um grande amor a Maria para que ela nos conduza a um amor mais profundo a Cristo. Com ela, queremos contribuir para que o mundo reencontre o caminho a Cristo pela adoração eucarística e por nossa oração diária, pela nossa fidelidade aos deveres diários e pelos nossos sacrifícios, oferecidos por amor.
  • Podemos visitar espiritualmente muitas vezes o Santuário de Schoenstatt e receber as graças especiais que a Mãe de Deus ali nos quer conceder.
Taça de Engling - Santa Maria

Mãe, acende a luz
(de uma alocução do P.J.Kentenich em Nova Palma/RS, Brasil, 1.4.1951)

Aconteceu há alguns anos na América do Norte, onde ainda existem grandes florestas. Um caminhante solitário perdera-se e não ignorava a que perigos estava exposto. De seu coração crente eleva-se constantemente o pedido: Mãe, envia-me luz para que eu encontre o caminho!
O caminhante não sabia que ali perto existia uma casa e nessa casa solitária moravam uma mãe e sua filha. Ambas dormiam há muito. De repente, a criança desperta do sono, acorda a mãe e diz-lhe: Mãe, acende a luz. A mãe responde: Para quê acender a luz se estamos dormindo?

Resposta da criança: A senhora que vi em sonhos pediu-me que acendesse a luz! A mãe diz à criança: Volta-te para o outro lado e dorme! Pouco tempo depois, a criança desperta novamente a mãe e repete as palavras: A senhora que eu vi pediu-me que acendesse a luz. Outra vez, a mãe pede: Agora dorme! Quando a cena se repete pela terceira vez, a mãe cede para se livrar dos pedidos da criança. Acende a luz e a deixa acesa algum tempo. Não demora muito, batem à porta. Quem era? O caminhante solitário que se encontrava em perigo de vida!

       “Mãe, acende a luz! É este o grande pedido que também nós... dirigimos hoje, em vosso nome, à Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt: Mãe, acende a luz! Conserva em todos nós a luz da fé, tu que és chamada Mãe dos fieis(...).
       Mãe, acende a luz, o dia já declina. Uma grande onda de incredulidade perpassa o mundo. Nós conduzimos a Mãe de Deus ao campo de batalha, e ela deve alcançar a vitória. Ela deve preservar em nossos filhos o espírito da fé sobrenatural(...).
E nós, os mais velhos, que nos damos conta da grande escuridão, tememos que a geração vindoura não conduza a luta como nós. Por isso pedimos, mais uma vez: Senhora, permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” (P.J.K 1.4.1951).