
Paulo Teixeira |
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Visita do Padre Angel Strada a Portugal |
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"Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos vinha a falar pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lucas, 24, 32).Quando comecei a ouvir o Padre Angel Strada a falar sobre o Pai e Fundador, foi esta a imagem que logo surgiu na minha cabeça. Se aos discípulos de Emaús lhes ardia o coração no peito, ao ouvirem Jesus explicar-lhes as Escrituras, sem no entanto o reconhecerem, a mim e ressaltando as devidas proporções, ardeu-me o coração ao ouvir a conferência do Padre Strada. Sou um admirador e tento ser um seguidor do Padre José Kentenich. Quando comecei a escutar a maneira como o Padre Strada contou o encontro privado que teve com o Pai e Fundador em 23 de Agosto de 1967, às oito horas e cinco minutos, tive a sensação que estive também junto com eles, naquela sala do Seminário de Münster. A maneira tão empolgada como o Padre Strada descreve este encontro (com um brilhozinho nos olhos, como foi referido no final, por um dos presentes), fez-me ter a sensação de ter vivido as mesmas emoções que ele teve nesse encontro. Por momentos, imaginei que o Padre Kentenich tomava as minhas mãos e que me ajoelhei junto com ele para rezar. Foi sem dúvida um sonhar acordado. A conferência do Padre Strada é muito enriquecedora e faz-nos perceber até que ponto o Pai e Fundador, se preocupava com todos aqueles que faziam parte da sua Obra. Conta o Padre Strada que nos encontros que manteve com o grupo de seminaristas em Münster, (ao qual ele pertencia), a primeira parte do encontro, era ocupada pelo Padre Kentenich a fazer perguntas a cada um deles, sobre assuntos tão diferentes tais como: as saudades do país e da família; se gostavam da comida; como decorriam os estudos e até se passavam frio, perguntando mesmo a um deles, se tinha ceroulas de algodão, pois estas eram a melhor coisa que existia para evitar o frio. Disse-lhe ainda que se não tivesse, lhe comunicasse, pois ele próprio se encarregaria de as arranjar. Este pormenor, aparentemente insignificante, mostra-nos a maneira como o Padre Kentenich encarava a paternidade, zelando pelo bem estar de todos. Das conferências, (tive a possibilidade e a felicidade de assistir quatro vezes), ressalto duas frases que o Padre Kentenich disse ao Padre Strada: A primeira, uma das frases do Evangelho do Bom Pastor: “Eu conheço os meus e os meus conhecem-me a mim”, foi dita no encontro a sós em Münster, na sequência do Padre Strada se ter admirado com o facto do Pai e Fundador lhe ter perguntado por dois jovens argentinos (conterrâneos do Padre Strada), que o tinham visitado oito anos antes em Milwaukee, durante o seu exílio. O Padre Strada referiu que o Bom Pastor, esteve sempre muito presente nos ensinamentos do Padre Kentenich, especialmente nas conferências e palestras que proferia a sacerdotes. A outra frase, muito importante e que pode ajudar no nosso dia-a-dia, foi proferida pelo Padre Kentenich, durante um almoço com o grupo do Padre Strada, no decurso da visita ao seminário. Eles começaram a contar dificuldades e problemas ao Padre Kentenich, com o intuito de ele os ajudar a resolvê-las. Estranharam o silêncio dele e mais ainda, quando lhes perguntou por três vezes: “E vocês, têm paz interior?” Só então perceberam que o Pai e Fundador lhes estava a transmitir, a ideia que a paz interior é muito importante para a resolução das dificuldades que nos vão surgindo ao longo da vida. O facto de estarmos em paz interior, não resolve as dificuldades ou os problemas, mas que ajuda muito na superação, disso não restam dúvidas. O Padre Strada, contou-nos ainda que o Pai e Fundador era muito divertido, que gostava de fazer brincadeiras e que tinha muito sentido de humor. A segunda parte da conferência, foi dedicada a explicar o andamento do processo de beatificação. Neste assunto o Padre Strada foi muito directo e prático. Segundo ele, não se podem esperar facilidades, pois são processos muito complexos e que exigem imenso esforço de todos aqueles que estão a trabalhar neles. No caso concreto do Padre Kentenich, devido à enorme quantidade de escritos que deixou, ao imenso número de testemunhos que receberam, ao facto de tudo ter que ser traduzido para castelhano, (pois o alemão não é uma das línguas oficiais do Vaticano), tudo isto tem contribuído para que o processo vá demorando todos estes anos. Recordo que foi oficialmente aberto em 1975. |